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Serra da Canastra
Parque Nacional da Serra da Canastra

 O Velho Chico, do fundo do Baú

Conta-se que um garimpeiro, meticuloso e já muito velho, guardava seus diamantes numa canastra que escondia numa mina desativada, no sopé da serra. Um dia, o caçador de pedras preciosas morreu, sem antes revelar onde havia enterrado o tesouro. Nunca ninguém encontrou o tesouro, mas Canastra acabou se tornando a serra inteira.

Há outra hipótese para esse batismo: a mineira Serra da Canastra – um chapadão formado de quartzito, cujo ponto culminante, a Serra Brava, alcança 1.496 metros de altitude – simplesmente reproduz a forma de uma gigantesca canastra. E é do fundo deste baú que vertem as nascentes do Rio São Francisco, espécie de lagrima que se avoluma à medida que o leito do “Velho Chico” se forma e avança sobre a aridez do Nordeste até jogar-se, enfim, ao mar, na fronteira dos Estados de Alagoas e Sergipe.

De um brejo, no extremo leste da Serra da Canastra, a 1490 metros de altitude, um pequeno olho d’água dá início ao curso do maior rio inteiramente brasileiro. Daí parte rumo ao norte, ainda tímido, em formação, engordando com as águas cristalinas de outras nascentes. E segue mansamente sua trilha, num cenário de gramíneas e arbustos de no máximo meio metro. A pós 12 km – para palmilhar este trecho é preciso andar mais de duas horas sobre pedras -, ele forma  várias piscinas naturais e despenca 200 metros, esparramando-se em três quedas d’águas reunidas numa única cachoeira, a belíssima Casca d’Anta.

A Cachoeira Casca d’Anta pode ser admirada de sob dois ângulos: na parte alta do parque, uma placa simples de madeira, aponta a trilha que leva à nascente, onde um marco simbólico ostenta a imagem do santo; na parte baixa, outro caminho desemboca no mirante de onde a cachoeira se revela em toda sua exuberância.

A partir deste ponto, o Velho Chico mostra para que veio. O rio segue então seu caminho, ao longo do qual espalha nas terras mais secas do Nordeste, a vida abundante que colheu do cerrado.

Assentado em terras dos Municípios de São Roque de Minas, Sacramento, Delfinópolis, Vargem Bonita e São João Batista do Glória, no Sudoeste de Minas Gerais, o Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado em 1972 pelo decreto n°70.355 especialmente para proteger este importante manancial. Antes, a região era castigada pela devastação. O desmatamento proveniente do desenvolvimento da pecuária provocava o assoreamento do São Francisco. A caça predatória também era praticada livremente.

Com a implantação do Parque, várias espécies ameaçadas de extinção foram protegidas num raio de 71.525 hectares, de clima ameno, com temperaturas médias anuais variando de 18 a 22 graus. Hoje, alguns animais mais ariscos, como o tatu–canastra, que mora em túneis cavados por ele mesmo para fugir de predadores, e outros menos arredios, o tamanduá bandeira, desengonçado e muito míope, o veloz veado campeiro, o lobo guará e a lontra, também ameaçados, já mostram sua cara nos campos e às margens dos rios. 

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Cascadanta vista da CASCADANTA
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